segunda-feira, 3 de agosto de 2009

REFLEXÕES SOBRE O FILME: ENTRE OS MUROS DA ESCOLA , LIGADAS COM MINHAS APRENDIZAGENS

A cena escolhida foi sobre o trabalho que o professor fez sobre o auto – retrato.
Ele pede como tema, que cada aluno faça um auto – retrato. Então, na próxima aula, ele pediu que alguns alunos lessem seu trabalho, o que gerou alguns conflitos. Achei este trabalho do professor bastante desafiador e criativo, pois levou o seu aluno a pensar sobre si, a expor seus gostos, a falar um pouco sobre sua vida, apesar de alguns se sentirem retraídos e constrangidos, mesmo o professor dando a eles palavras de incentivo.
Esta cena demonstra que o professor teve a intenção, ao meu modo de ver, de conhecer seu aluno, suas vontades, seus gostos, seus anseios e sendo assim, promovendo a busca da autonomia, resultante na identidade saudável, isto tudo, causou muitos conflitos entre os alunos x alunos x professor.
O professor teve sim a intenção, mas em algumas cenas do filme desanimou e desistiu de continuar com aquele rico trabalho, pois sob o meu ponto de vista, ele ali poderia ter trabalhado mais sobre as diversidades lá existentes, fazer debates sobre o preconceito e sobre a discriminação, sobre as diferenças raciais...
Em uma das cenas do filme, no qual houve uma reunião de professores, percebi que o professor tinha vontade de mudar um pouco o sistema, mas ao mesmo tempo ele se calava, por receio ou por não acreditar que é possível sim, mudar as regras tradicionais, onde uma delas era um castigo, no qual o aluno perdia pontos por sua indisciplina, o professor foi contra, mas não foi persistente com sua opinião, se deixando calar.
Uma outra cena foi dentro da sala de aula onde o um aluno chama o outro de “macaco,” o professor foi um intermediário dos conflitos existentes, sendo o maior a discriminação que havia entre os alunos, tal como o preconceito racial.
Neste momento do filme, relembrei um momento que tive com meus alunos neste ano, onde uma aluna chama a colega de “branca suja” e a outra revida chamando-a de “macaca”; tive então, que tratar o conflito no grupo, e após chamei as duas, em particular, conversando com as mesmas. Expliquei que devemos respeitar uns aos outros, que somos diferentes sim, mas nem por isso, as pessoas ficam se chamando de negras ou brancas; partindo do pressuposto que acredito na igualdade com a eqüidade, pois, somos diferentes porque somos únicos, e iguais porque buscamos o respeito mútuo.
Conforme o texto que li: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana; tive maior reconhecimento que é preciso construir estratégias educacionais que visem o combate do racismo, tendo como objetivo fortalecer entre os negros e despertar entre os brancos a consciência negra; entre os negros oferecer conhecimentos e segurança para orgulhar-se de sua origem africana; para os brancos permitir que identifiquem as influências, as contribuições, as participações e a importância da história e da cultura dos negros no seu jeito de ser, viver, de se relacionar com as outras pessoas, notadamente as negras. Daí a necessidade de se insistir e investir para que os professores recebam formação que capacite não só a compreender a importância das questões relacionadas à diversidade étnico-raciais, mas a lidar positivamente com elas e, criar estratégias pedagógicas que possam auxiliar a reeducá-las. Por isso é necessário incluir no currículo da Educação Básica a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, oferecendo não só o conteúdo, mas os materiais bibliográficos e didáticos, acompanhando os trabalhos desenvolvidos, para que os alunos negros deixem de sofrer os continuados atos de racismo de que são vítimas.
Outra cena bem interessante, fora quando o professor incentivou muito o trabalho de um de seus alunos, onde ele expunha o auto-retrato de seu aluno no mural e, pede assim que seus outros alunos venham olhar e ler sobre o mesmo. O aluno ficou constrangido e ao mesmo tempo não acreditando que ele era capaz de ter feito um bom trabalho, o que para ele era bastante difícil, pois mais ao final do filme, pude perceber o que faltava para ele era auto-estima e autonomia, pois sua mãe era muito dominadora, sendo assim, não o deixava falar por si próprio, mostrando assim, a pouca liberdade de expressão, determinação e pouca reflexão sobre o que ele era realmente capaz de fazer e ser.
Segundo Awschwitz, sujeitos com autonomia, são providos da força para reflexão crítica, para a autodeterminação, o que é adquirido através da educação.
Por isso, cabe a nós educadores e família tratarmos bem nossas crianças, no contexto individual, dando-lhes liberdade de escolha e expressão, para que só assim eles tenham chance de se desenvolverem autônomos, capazes de se tornarem cidadãos críticos e capazes de amar.

Nenhum comentário: